jan 29

Klaus Kleber
Com a condenação do ex-presidente Lula pelo Tribunal Regional Federal da 4ª. Região (TRF-4) no último dia 24, pode-dizer que se encerra um ciclo histórico iniciado com a promulgação da Constituição de 1988. A rigor, o ciclo de 30 anos chegaria ao fim em outubro, mês em que foi promulgada a Carta Magna, mas o virtual afastamento de Lula do pleito presidencial deste ano é um dos acontecimentos mais marcantes deste período.

Caberá aos historiadores analisar a ascensão e queda de Lula e do PT, depois da maior recessão de nossa história. Os que escreverem sobre esses tempos bicudos, não deixarão de salientar também a exacerbação das atribuições do Poder Judiciário, a agressividade da direita, o clima de violência que toma conta do País e, para completar, o surgimento de uma epidemia de febre amarela.

Sob o ponto de vista puramente econômico, esse ciclo começou com o Brasil altamente endividado no exterior, com hiperinflação, com a economia crescendo ainda que tropegamente, mantendo o emprego em níveis razoáveis, com péssima distribuição de renda, mas havia muita esperança no futuro, em um ambiente de euforia democrática, com imprensa e eleições realmente livres.

O ciclo termina com o País com reservas de US$ 380 bilhões, com uma dívida interna pífia, com uma inflação em torno de 3% ao ano, mas com uma crise fiscal ao lado de um desemprego altíssimo e com poucos avanços na distribuição de renda. Diriam alguns que o País trocou a dívida externa pela interna e deu no que deu. A economia começa a reagir, mas o governo só acena para o povo com novos sacrifícios. E nunca talvez tantos brasileiros emigraram ou pensam em emigrar.

Há pitonisas por todo canto, mas ninguém é capaz ainda de esboçar um cenário crível para as eleições presidenciais. Estando excluída a hipótese de uma candidatura de Lula, embora alguns graduados petistas insistam que o ex-presidente será candidato, o que se procura discernir é se qual será o vencedor do pleito de outubro: a direita, o centro-direita, o centrão ou a centro-esquerda.

A meu ver é que tudo vai depender de como Lula e cúpula do PT vão agir daqui em diante. Se tiverem bom senso – e bom senso não é uma das características do partido – não levarão a candidatura do ex-presidente “até o fim”, mesmo estando ele preso.

A melhor alternativa para o partido, a meu ver, seria apoiar um dos candidatos da centro-esquerda no plano presidencial, fortalecer os governadores petistas que buscarão a reeleição e procurar garantir uma boa bancada no Congresso. O candidato apoiado pelo PT pode perfeitamente ir para o 2º. turno e talvez chegar ao Palácio do Planalto.

Tudo isso é especulação, mas o certo é que o ciclo de Lula acabou e a questão agora saber em que medida o ex-presidente, ainda tão popular, poderá influenciar o ciclo seguinte.

written by Leonardo Trevisan


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