jul 13

Leonardo Trevisan
Se existia, a dúvida sumiu. Automação e vida profissional viraram complementos. A prova mais consistente da velocidade dessa “mistura” aconteceu agora no setor bancário. Os dois maiores bancos privados do País sinalizaram significativas alterações na sua prestação de serviço. E no ritmo de startup.

A essência da mudança não é a automação ou a digitalização. Esta é só a ferramenta. Em maio, o Itaú comprou a XP Investimento, uma corretora, que opera como shopping. Por contrato, a gestão da XP permanece independente. Muita gente notou a “desbancarização”, isto é o Itaú comprou um negócio que quer tirar o banco do “meio campo” dos investimentos.

No começo de junho o Bradesco lançou o Next, um banco 100% digital. Com aviso explicito: o Next não pode ser contaminado pelos “vícios” dos grandes bancos.

Os dois movimentos têm o mesmo sentido. O banco digital terá função bem complexa: se envolver, de forma intermitente, na vida dos usuários. Com outro alvo: o correntista sabe que não há intermediário. Seja qual for o serviço pretendido, o contato (ou a “solução”) será direta, sem “meio campo”. Automatizada enquanto operação. Digital enquanto ferramenta.

A lógica dessa nova forma de prestação de serviço bancário é diferente da anterior, mediada por influência humana operacional. É a mesma lógica de serviço, por exemplo, do Google, Amazon ou Netflix. Quando se quer uma informação, comprar qualquer coisa, ou consumir lazer em uma tela, não se consulta ninguém, não se espera permissão, nem tem hora definida. Sumiu o “meio campo” que fazia isso.

O novo formato do serviço bancário foi nesse caminho. E irá se inserir, cada vez mais, na vida do usuário. Como todas as gigantes da internet já fazem.

Discutir automação no mundo do trabalho exige entender esse movimento. Quem se apegar a lógica de continuar a ser o “intermediário” vai sofrer. Na era da automação, pensar carreira exige outra “atitude mental” sobre o que é aprender, criar e superar dificuldades. É exatamente isso que quer dizer transformar emprego em “plataforma de negócio”.

Por culpa da internet, ganhar a vida vendendo “meio campo” entre oferta e consumo, seja do for, está no fim. Como dois negócios, do tamanho do Itaú ou do Bradesco, já descobriram.

(junho 2017)

written by Leonardo Trevisan


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