jan 15

Klaus Kleber
A não ser o ministro da Fazenda Henrique Meirelles, ninguém esquenta mais a cabeça com as notas dadas ao Brasil pelas agências internacionais de classificação de risco. Os técnicos da Standard & Poor’s resolveram na semana passada dar um susto nos brasileiros baixando a nota de crédito do País de BB para BB-. Os mercados não reagiram como se estivesse sendo anunciada uma catástrofe — a Bolsa pouco se mexeu e o dólar também não disparou.

Aí veio a explicação, que o próprio Meirelles comprou depois de se refazer de uma declaração infeliz: o mercado já havia “precificado” a baixa da nota de crédito do Brasil, pois, como todo mundo sabe, está difícil equacionar a questão do déficit das contas públicas em 2019, sem quebrar a chamada regra de ouro. Um amigo meu comentou que, na realidade, o mercado brasileiro já “precificou” as próprias agências de risco, cujas notas só valem para dar ou tirar grau de investimento. Baixar de BB para BB- não diz nada.

Brasileiro só dá importância quanto seu time ou sua escola de samba ganha o campeonato. Ser vice interessa tanto como ser terceiro ou quarto lugar. Um tracinho numa nota não sensibiliza ninguém. Além disso, dizer que a nota da S&P tira o selo de bom pagador do Brasil é conversa fiada. O País está pagando tudo lá fora, inclusive aquela multa que a Justiça americana impôs a Petrobrás de US$ 2,95 bilhões.

Aliás, a S&P fez uma ressalva: o Brasil está em boa situação quanto à dívida externa. Com reservas de US$ 382 bilhões poderia até eliminá-la. Foi pouco mencionado o fato de que, há pouco, o governo brasileiro usou US$ 1,818 bilhão para recomprar títulos antigos que remontam à renegociação da dívida externa — e as reservas nem se mexeram. E o governo pode e deve comprar mais títulos que estão no mercado internacional, com o que até economistas mais ortodoxos concordam.

Assim, se a Moody’s e a Fitch — as outras duas grandes agências de classificação de risco – não devem fazer a burrada de acompanhar a S&P, que acabou tendo mais influência política do que econômica. A consequência do rebaixamento da nota foi esquentar a briga entre o ministro Henrique Meirelles e o presidente da Câmara Rodrigo Maia, ambos presidenciáveis já não mais “in petto”. O melhor que podem fazer as agências internacionais é ficar quietinhas nesse ano eleitoral.

written by Leonardo Trevisan


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