nov 13

Klaus Kleber
O presidente Temer resolveu dar ao ministro Moreira Franco todo controle sobre a comunicação e propaganda do governo com o objetivo de melhorar a sua imagem tão desgastada. O ministro, ao que se informa, será assessora do por um conselho composto pelos publicitários e marqueteiros mais badalados. Naturalmente, eles vão insistir no fato de que a inflação caiu, o poder de compra dos mais pobres aumentou, os juros também, embora para quem toma crédito isso não seja ainda visível, e outras “conquistas” do atual governo.

Pode ser até as campanhas tenham algum sucesso, mas virar o jogo quanto a popularidade de Temer e sua turma parece uma missão impossível. E isso não só por causa da corrupção, não, mas pelas atitudes que algumas “altas autoridades” vêm tomando e que o povo anda estranhando.

Digo isso com base na minha experiência no dia-a-dia. Na semana passada, tomei um táxi e o motorista disse ter ouvido no rádio que o salário mínimo para 2018 não será mais de R$ 979, mas de R$ 969. “Que mesquinharia”, comentou ele, “tiraram R$ 10 do salário mínimo!”. Concordei com ele, mesmo porque não tenho meios para confirmar ou negar que essa redução, segundo o cálculo de funcionários da Fazenda, deve proporcionar ao governo uma economia de R$ 3 bilhões. Quer dizer, se diminuíssem R$ 20 do mínimo, a economia seria de R$ 6 bilhões? (A corrida, aliás, me custou R$ 15).

No feriado, fui almoçar num restaurante aqui perto de casa e o garçom, meu velho conhecido, estava comentando o trabalho intermitente, criado pela nova legislação trabalhista. Ele disse que, como muitos garçons, estava registrado pelo mínimo, e sua renda maior vinha das gorjetas. Ele prevê que, com a nova legislação, vai ser demitido e contratado para trabalho intermitente em sábados, domingos e feriados.

A dúvida dele é quanto o patrão iria pagar por dia de trabalho e que ele achava, mesmo antes de saber o valor, que seria muito pouco. Limitei-me a comentar que, nos Estados Unidos, o salário mínimo é fixado por hora de trabalho, não por mês, detalhe que escapou do discernimento do governo e nossos legisladores.

Por coincidência, li no Facebook a queixa de um amigo quanto à ideia de aumentar a contribuição dos idosos nos planos de saúde privados. Ora, justamente na terceira idade, quando os rendimentos dos trabalhadores em geral diminui, é que eles precisam mais dos planos de saúde, pelos quais pagaram anos a fio sem praticamente utilizá-los. O que mais incomoda no caso é que o próprio ministro da Saúde, Ricardo Barros, defende uma mudança na regra que impede o aumento da contribuição para planos de saúde depois dos 60 anos de idade.

Para completar, ao chegar em casa um dia desses, perguntei a meu filho que estava assistindo TV qual era a novidade. “A ONU soltou uma nota condenando a portaria brasileira sobre trabalho escravo”, contou-me ele.

written by Leonardo Trevisan


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