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Leonardo Trevisan
A pergunta está longe de ser inocente: o que acontece com os humanos quando chegam os robôs? De qualquer tipo. Inclusive os que chegam embutidos nos softs mais baratinhos.
Uma resposta é a necessidade de desenvolver o conceito de emprego híbrido o que pede “nova combinação de habilidades”. Este formato convive bem com automação.

Artigo da The Economist (https://economist.turtl.co/story/5846a4eca95bd66532d773d2.pdf?showall=true) discute como pessoas se reinventam na hora de sobreviver à experiência digital. Quando as máquinas envergonham os humanos com maior produtividade e menor custo, é preciso procurar que habilidade os computadores têm mais dificuldade de aprender.

Pesquisa de David Deming (Harvard) mostrou como avançar neste caminho: o mercado recompensa bem “habilidades sociais”. Estas são compostas tanto por criatividade, como por capacidade de solução de problemas e, principalmente por “empatia”. Todas úteis e complementares à automação.

Como sugeriu a Economist, para preservar emprego quando as máquinas chegam é preciso ter a capacidade de “manter-se aprendendo”. Aqui nasce o emprego híbrido. Nesse formato procuram-se pessoas “intelectualmente curiosas”. Empresas automatizadas preferem quem quer “treinar coisas novas” (com o risco do mais capacitado trocar de emprego) a preservar quem “não quer ter novas experiências para ficar onde está”.

A convivência amistosa com sucessivos ciclos tecnológicos desenvolve a necessidade da “inteligência de carreira”. Esse é o ponto. O conceito significa a constante procura do que são novas habilidades típicas das demandas impostas pela evolução tecnológica. Principalmente, buscando novas habilidades na própria empresa. Ou seja, automação pode gerar empregos e não os extinguir. Depende de como se lida com ela.

Nessa lógica, o perfil do profissional que procura apoio na “inteligência de carreira” inclui curiosidade, ambiguidade, flexibilidade e adaptabilidade, exatamente as habilidades que o robô ainda tem dificuldades para conquistar.

Tudo gerando dificuldade extra: empresas que querem conviver com automação devem passar a contratar por capacidade cognitiva. Critérios de obediência passiva e méritos consolidados ficam em segundo plano. Não será um cenário tranquilo.

(março 2017)

written by Leonardo Trevisan


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