jul 17

Klaus Kleber
Ao se confirmar a hipótese levantada pela Folha de S. Paulo (15/7) de que a turma do Palácio do Planalto já admite que só em setembro haveria quórum de 342 deputados para votar a denúncia por corrupção do presidente Michel Temer, não é improvável que ele saia fortalecido desse imbróglio.

É irônico o fato de que até há alguns dias atrás, o presidente preferia que a denúncia fosse julgada logo na próxima semana, antes do recesso do Congresso, confiante em que teria votos para rejeitá-la. Chegou-se a aventar a possibilidade de que um quórum de 257 deputados, ou seja maioria simples dos 513, poderia ser suficiente para abrir uma sessão tão importante. Mas, como se noticiou, o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia, resistiu às pressões e manteve a exigência da presença de 342, o que significa que a denúncia só seria votada em plenário em 2 de agosto, depois do recesso.

Isso, que parecia ser contra os interesses do presidente, agora pode jogar a seu favor. É duvidoso agora o raciocínio de que, se fosse dado mais tempo para votar a denúncia, o presidente estaria sujeito a novas denúncias da Procuradoria Geral da Justiça e do surgimento de fatos novos provenientes de delações premiadas de Lúcio Funaro ou, principalmente, do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Acontece que fatos novos, por mais graves que sejam, não seriam mais incriminadores do que a gravação da conversa do presidente com Joesley Batista no porão do Jaburu. Afinal, os chamados “fatos novos” são mais relevantes do que velhos costumes políticos que o presidente tem usado com tanta mestria? O troca-troca de membros do da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ da Câmara, à custa de liberação de emendas e distribuição de cargos é apenas uma amostra do rico repertório do Jaburu.

A constatação é de que, depois da aprovação pelo Congresso da reforma trabalhista, o compromisso do presidente com as reformas e com a austeridade fiscal é só da boca para fora. O senador Romero Jucá, um dos pilares de sustentação de Temer no Congresso, já fala em reforma “fatiada” da Previdência, o que pode significar manutenção dos privilégios corporativos e aumento do prazo para o trabalhador comum se aposentar. E vêm aí um Refis ainda mais ampliado, com perdão de dívidas e outras concessões já feitas ou por fazer, sempre oriundas de emendas apoiadas pelo mui leal Centrão.

De outra parte, o governo aumenta a aposta na divisão do PSDB. A facção do partido que não quer abandonar o governo parece ter hoje mais força ou mais capital que os que desejam que o partido entregue os cargos que detém, embora não para fazer exatamente oposição. O equilíbrio é difícil com um pé em duas canoas.

Neste sentido é simbólico que, depois de rejeitar o parecer do deputado Sergio Zveiter, a CCJ tenha aprovado o parecer do deputado Paulo Abi-Ackel, do PSDB de Minas. ligado ao senador Aécio Neves. É sabido também que tanto o governador Geraldo Alckmin como o prefeito de São Paulo João Doria, potenciais candidatos ao Planalto em 20l8, não querem saber de Rodrigo Maia na presidência da República, podendo vir a se candidatar pelo DEM em eleições diretas o ano que vem.

E Temer vai ficando…

written by Leonardo Trevisan


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