Claudia Bozzo
O diretor, roteirista e produtor finlandês Aki Kaurismaki fez uma promessa há alguns anos. Disse que depois do 20º longa metragem iria se retirar do cinema. Então, é bom torcer para que seja apenas uma de suas “boutades” e não perder “O Outro Lado da Esperança”, pois a conta de suas obras – seja de longas ou curtas ou participação em filmes de vários diretores – vai longe no IMDB (Internet Movie DataBase, o mapa da mina para quem quer lembrar qual é o ator de um filme, o diretor de arte, ou roteirista ou até mesmo quem é a esposa de fulano…).

“O Outro Lado” sintetiza toda a sensibilidade que fez de Kaurismaki um dos mais respeitados cineastas da atualidade. Conta a história do refugiado sírio Khaled (Sherwan Haji), que acaba indo para a Finlândia, vindo da Turquia e passando por vários países. Assim que chega, sua primeira providência é pedir asilo e para isso vai a uma delegacia de polícia, percorrendo toda burocracia enfrentada pelos refugiados, numa Europa cada vez mais preocupada com o tema da migração. Em uma hospedaria para onde é enviado, faz logo amizade com outro refugiado, o iraquiano Mazdak (Simon Hussein Al-Bazoon).

Em paralelo, o filme vai contando a história de Wikström (Sakari Kuosmanen), um vendedor de camisas que resolve largar a esposa, mais interessada na garrafa que em qualquer outra coisa e ao apostar o resultado da venda de seu estoque no pôquer, consegue o suficiente para montar um restaurante.

A direção de arte e a fotografia são no mínimo, excepcionais, criando uma atmosfera meio anos 1950, com um toque dark, numa Finlândia tão atual quanto seus carecas fascitoides que mal conseguem controlar a fúria assassina, ao cruzar com alguém como Khaled. Usam roupas pretas de couro e alguns têm a inscrição “Exército de libertação da Finlândia” desenhada nas costas das jaquetas. Outro ponto interessante é a música: o diretor inclui um grupo onde os intérpretes são todos septuagenários (mas nada no estilo saltitante de Mick Jagger), executando temas de country e blues cantados em finlandês, mostrando que a miscigenação cultural começou muito antes da pessoal.

Khaled é o protótipo do bom moço. Tudo o que quer é regularizar sua situação e encontrar a irmã Miriam, da qual se perdeu na hora de cruzar a fronteira turca. O roteiro dá a ele todo o espaço do qual precisa para contar com calma sua história e calvário, uma trajetória comum a tantos desses migrantes, pegos no meio de um conflito que se resume à ganância das grandes potências. Escancarada por alguém como Donald Trump, ao afirmar, como reproduziu o The Economist, esta semana que, “antigamente, se alguém ganhasse uma guerra, ganhava uma guerra. Mantinha o país”, acrescentando que “bombardearia essa droga” de Estado islâmico e “ficaria com o petróleo”.

Trump não estava nem nos delírios de algum comediante ou analista político, quando em 2003 e 2006, indicado ao Oscar de melhor filme estrangeiro, o diretor Aki Kaurismaki simplesmente boicotou os prêmios (por “O Homem sem Passado” de 2002 e “Luzes na Escuridão” de 2006), recusando-se sequer a ir aos EUA, país envolvido em guerra no Oriente Médio. Aqui é bom lembrar que a realidade às vezes é bem mais surrealista que a ficção, como o ex-presidente Bush declarando que votou em Hillary Clinton e criticando Trump.

O finlandês, que vive em Portugal desde 1989, é famoso também pelo senso de humor, dos mais refinados, bem presente no filme, em toques certeiros e enxutos. Já declarou, em entrevista, que “gosto de cachorros. Pela humanidade não me interesso muito. Eles são honestos e não mentem”. Outra: “Acho que quanto mais pessimista eu me sinto em relação à vida, mais otimistas deveriam ser os filmes”.

“O Outro Lado da Esperança”, é um atestado da sua crença nas pessoas e de uma atualidade impressionante. Embora se desenvolvam em paralelo durante a maior parte do filme, as vidas do refugiado e do ex-vendedor cruzam por um brevíssimo instante no início do filme. E depois, Khaled acaba indo trabalhar no restaurante de Wikström, que manteve os antigos funcionários e tenta conquistar fregueses inovando em cardápios. Como a noite de comida japonesa, e a contratação de um grupo musical. É, na medida exata, um filme para quem gosta do verdadeiro cinema, sem efeitos especiais e defeitos extraordinários.

Claudia Bozzo
Isso não é comum, mas a sequencia de “Blade Runner, o Exterminador de Andróides” (1982) está sendo considerada ainda melhor que o filme original, pela maioria das pessoas que viram “Blade Runner 2049” (2017). E desta vez, críticos e público ficaram no mesmo time.

Passados 35 anos, a saga baseada no livro de Philip K. Dick manteve tudo que havia de bom no primeiro filme – e não era pouca coisa – acrescentando detalhes fascinantes à história. E mantendo o padrão estético que caracterizou e ajudou a fazer a fama do primeiro. Só a música não tem o mesmo impacto do original. Mas isso é só detalhe.

O primeiro “Blade Runner” não teve uma passagem marcante pelos cinemas. E aqui chegamos a uma das importantes mudanças tecnológicas que marcaram nesses trinta e cinco anos, passagens cada vez mais rápidas, como apontava Alvin Tofler (definido como ‘futurista’), que faleceu em 2016. Ele escreveu “O Choque do Futuro”, de 1970, mas ainda atual, mostrando como era cada vez mais acelerado o avanço da ciência e da tecnologia.

Esse é um dos fatores que explicam como “Blade Runner”, sem ser um blockbuster veio a tornar-se um dos mais cults entre os cults. Ele chegou em meio à briga pela definição de um reprodutor de vídeo. Era a Sony de um lado, com o seu Betamax, e outras empresas do outro, com o VHS, entre o final da década de 1970 e final da década de 1980. Esse e outros filmes da época tiveram uma carreira doméstica, pois os videocassetes começavam a se popularizar e embora extremamente caros, foram-se tornando cada vez mais acessíveis. Ao mesmo tempo veio a febre dos videoclubes.

Por fora corria outro sistema, com melhor definição, melhor qualidade de reprodução e confiabilidade, porém, extremamente caro, o laser disc (de certa forma, o antecessor do CD). Claro que as empresas pretendiam faturar com a venda de filmes – como a Atari, cujos anúncios aparecem também na continuação de “Blade Runner” – faturava na venda de cartuchos para seus jogos, cobrando pelo console um preço até simbólico.

Filmes em Betamax exigiam o console próprio, pois o formato era diferente do VHS e a maioria era encontrada apenas em lojas na Liberdade, por ser a Sony uma companhia japonesa e porque o formato e sua definição em muitos casos, melhor que o VHS, caiu no gosto da colônia japonesa. Sem contar com a imensidão de filmes japoneses que havia em tais videoclubes.

Foi pelo VHS, na época quase todos piratas, pois a produção demorou para engatar, devido à falta de definição por um dos dois formatos. E foi em VHS, em cópias bem ruinzinhas, que vi pelas primeiras dez ou quinze vezes a epopeia dos androides que haviam fugido de uma colônia em outro planeta, em busca de mais vida, pois tinham um prazo de validade que expirava com o tempo. A qualidade da reprodução dos vídeos não interferia na qualidade artística do filme dirigido pelo britânico Ridley Scott (é produtor executivo de “Blade Runner 2049”) já famoso por “Alien, o Oitavo Passageiro” (1979) e “Os Duelistas” (1977). Uma direção de arte de tirar o fôlego, atores de primeira, incluindo os belos androides Rutger Hauer, Sean Young e Joanna Cassidy e o já então icônico Harrison Ford.

Nesse meio tempo vieram as TVs digitais, os reprodutores e gravadores de CD, a TV a cabo, a popularização do celular (inventado por Martin Cooper em 1973, era um “tijolo” de mais de um quilo, só começou a ser utilizado, mesmo nos EUA, em 1983). No Brasil, o primeiro foi lançado em 1990. Realidade, o carro elétrico deve ser compulsoriamente adotado por muitos países europeus, e o carro sem motorista avança dia a dia. A ficção científica deixou de ser ficção há um bom tempo. Harrison Ford, por exemplo, dá ordens por voz ao seu computador no “Blade Runner” de 1982. E aquilo era um “nossa!” na época.

Uma boa sugestão, se você não assistiu o primeiro filme umas dez ou quinze vezes, no mínimo – e ainda o director’s cut, que foi apresentado nos cinemas com a versão final do próprio Ridley Scott – é assistir pelo menos uma vez, antes de ver o novo. Mesmo porque estamos atravessando mais uma fase inovadora na evolução tecnológica. Estamos passando para o fim a “mídia física”, como são definidos CDs (de filmes ou música) para a versão digital de tudo. Os serviços de streaming (Netflix, Amazon e outros) estão avançando sobre o território da TV convencional e também da TV a cabo. Outras espécies percebem o bafo da extinção se aproximando. E é bom ficar atento, para poder acompanhar os tempos, aproveitando o que há de melhor por ai.

Claudia Bozzo
Há duas opções de filmes sobre mãe nas telas. Uma, insuportavelmente pretenciosa, chata e vazia é “Mãe” de Darren Aronofsky, que consegue transformar até Javier Bardén num ator menor.

A outra opção, deliciosamente inteligente e sensível, leva mãe só no título original, em francês, “Maman a Tort” (Mamãe errou) que recebeu aqui o título de “A Garota do Armário”.

O filme conta a história de Anouk, jovem de 14 anos que precisa, como todo estudante francês, fazer um estágio em uma empresa, em um determinado ponto de sua vida escolar. Filha de pais separados, ela pretendia cumprir a tarefa na emissora de TV onde o pai trabalha. Mas ele é demitido um pouco antes e ela acaba indo parar na seguradora onde sua mãe é funcionária de alto escalão.

O diretor, Marc Fitoussi, é o mesmo de “Um Amor em Paris” (2014), exibido aqui ano passado, uma história delicada sobre um casal de agricultores, os excelentes Isabelle Huppert e Jean-Pierre Darroussin.

A garota do armário é interpretada pela ruivinha Jeanne Justin, da qual é impossível gostar, logo no início, pois é o perfeito adolescente irritante. E lá vai ela sob protesto, para a grande seguradora na qual a mãe trabalha – claro, como toda empresa de grande porte o escritório fica em La Défense, o bairro mais modernoso da cidade.

A mãe, a belga Émilie Dequenne, é uma das atrizes favoritas dos irmãos Dardenne. Ela faz o que pode para ajudar a rebelde filha a se encaixar nos rituais e na estrutura da empresa, onde reina a atmosfera de tensão, puxa-tapete, fofocas e outras coisas que a esperta menina acaba descobrindo.

O filme é uma celebração da passagem de Anouk para a vida adulta, pois essa semana a faz amadurecer de forma extraordinária, ao se envolver com um dos casos que ela acaba tomando conhecimento, de uma viúva que não consegue receber o seguro pela morte do marido, devido a meandros jurídicos aos quais todos estamos sujeitos, embutidos nas letrinhas menores dos contratos que assinamos.

O diretor usa a personagem de Anouk para mostrar, a partir da visão de uma menina, como são surreais algumas das atitudes das pessoas envolvidas demais com os meandros corporativos. Quase como a personagem de “Toni Erdman”, um filme alemão, que mostra um pai preocupado com a excessiva dedicação da filha à carreira e ascensão aos estratos mais elevados. Um ambiente extremamente machista, belicoso, onde gente adulta brinca de bullying o tempo todo. Claro que existem as boas figuras. Mas estão nos andares inferiores da cadeia alimentar.

Além disso, o trabalho e o envolvimento da jovem Anouk marcam uma nova fase de relacionamento com a mãe, pelo convívio com as pessoas que a cercam e pela queda de algumas barreiras, inevitáveis. Até fisicamente foi cuidado para que Anouk mostrasse seu amadurecimento, a partir de uma nova postura corporal, nova forma de se vestir.

Um filme de muitos predicados.

Claudia Bozzo
Está acontecendo uma briga de foice entre os fornecedores de filmes por demanda e produtores de conteúdo, da qual estamos mais ou menos distantes, embora sejamos os alvos e os reais culpados. Alvos, porque todos querem nossa atenção. E culpados pela falta de fidelidade. TV a cabo, por exemplo: são cada vez maiores as desistências, pois as empresas (poucas opções, na verdade) servem um cardápio sem graça e caro demais. A TV aberta resiste, mas todos sabem que jovens não assistem mais, ou sequer conhecem novelas, por exemplo. Esse é um ambiente em ebulição.

Uma das razões para esse caos é que o cancelamento de assinaturas nos Estados Unidos, por exemplo, está se acelerando de forma mais rápida que o esperado pelos executivos de mídia. No último trimestre, quase um milhão de americanos desistiram de suas inscrições em serviços de TV paga, segundo uma estimativa de Craig Moffett, analista de meios de meios de comunicação na MoffettNathanson. (O Netflix acrescentou quase a mesma quantidade de assinantes nos Estados Unidos ao mesmo tempo).

Jovens, grupo particularmente cobiçado pelos anunciantes, estão se afastando da TV de forma especialmente rápida. A quantidade de pessoas com menos de 35 anos que assistem TV tradicional nos EUA caiu pela metade desde 2010, diz Matthew Ball, diretor de estratégia nos Estúdios Amazon.

No caso do Brasil, a séria crise pela qual passamos acelerou ainda mais essa tendência, embora os números sejam desconhecidos. Na semana passada, por exemplo, nos Estados Unidos, o Facebook caiu na boca dos críticos e da concorrência ao divulgar dados informando que tem como meta atingir um público de jovens que tem 25 milhões de pessoas a mais do que os dados oficiais do censo do país. A empresa disse que quer chegar aos 41 milhões de jovens entre 18 e os 24 anos (eles são 31 milhões segundo o Censo) e a 60 milhões entre 25 a 34 anos (são 45 milhões, informou o governo).

Entende-se tanto o esforço do Facebook, que está com os olhos voltados para a divulgação de vídeos, que virá no formato de uma aba, o Watch, invadindo o campo de outros serviços, como o YouTube ou de vídeos por demanda (como Netflix, Amazon, HBO, Hulu e outros). A empresa acredita que quanto mais tempo seus usuários permanecerem no site, mais anúncios verão e o lançamento de vídeos curtos e mesmo pequenos reality shows estão nos planos da inquieta empresa.

Segundo reportagem do New York Times, o futuro da TV é “desordenado e confuso”. Lá nos EUA a tendência de cancelamento de assinaturas gerou um fenômeno chamado de “caça ao canal”. São tantas as novas opções de vídeo por demanda que as pessoas passeiam de aplicativo em aplicativo até encontrar qual era o programa que estavam seguindo.

Isso já aconteceu com você no Netflix? As opções são tantas que a gente até esquece o que estava acompanhando, a não ser que seja uma dessas séries imperdíveis, como “House of Cards”, “Downton Abbey”, “The Crown”, “River”, “Narcos” e outras. Mesmo porque gosto é gosto e cada qual tem o seu. As novelas turcas, por exemplo, encontraram fieis seguidores, que elogiam a discrição e romantismo.

Pois imagine um ambiente no qual por enquanto temos, em volume bastante limitado pelo alto custo para o assinante, Amazon, HBO, Fox, Disney, e os interesses envolvidos na captação de novos clientes. A ousadia do Netflix pegou muitos desprevenidos, e agora a empresa é alvo de uma ofensiva da parte da concorrência. Alguns de seus fornecedores de conteúdo, como a Disney, anunciaram que vão suspender seus contratos com ela e passar seu conteúdo para um serviço próprio. A dúvida é saber se a Netflix terá fôlego para continuar com sua política de produzir conteúdo – o catálogo de produções da empresa é extenso e variado – uma atividade bastante cara. E tudo indica que esse é mesmo o rumo escolhido por ela, pois este ano até levou um filme a Cannes, levando arrepios aos puristas, afinal aquele é o templo da telona de cinema.

Reportagem recente da revista Barron’s revela que o serviço – que tem cerca de 100 milhões de assinantes no mundo, presente em 60 países (sem incluir a China) – gastará muitos bilhões este ano arriscando-se com títulos de ‘alto risco’. Segundo analistas do setor financeiro, mais interessados nos números que na programação, as assinaturas não cobrem todos os custos. A favor da empresa está a marca de ousadia e inovação de seu CEO, Reed Hastings, que soube qual o momento exato de passar da entrega de filmes para aluguel pelo correio, tirando da jogada nos EUA um concorrente do porte da Blockbuster, para depois iniciar o serviço de streaming, canibalizando o seu próprio aluguel de vídeos. Firme na competição está a Amazon, que anunciou um orçamento para conteúdo ao redor dos US$ 4,5 bilhões.

Quem viu a série que agrupou os três antigos participantes do “Top Gear” da BBC, um programa sobre automobilismo, viagens e etc., agora chamado de “The Grand Tour”, percebe que não se fez economia para tentar reconquistar a antiga audiência do programa (antes transmitido por TV a cabo), uma das maiores da história da TV.

O certo é que haverá em breve muito mais opções. Até o Google tem um sistema de streaming, pelo qual se paga por filme. O problema será ajustar a escolha ao orçamento, à garantia de qualidade e o gosto pessoal quanto ao que é oferecido. “Em caso de dúvida”, dizia uma jovem no cinema, ao namorado, “todo mundo acaba escolhendo sorvete de chocolate, não é?” Bom, não é tão simples…

Claudia Bozzo

O Instituto Italiano de Cultura de São Paulo (Av. Higienópolis 436) programou um novo ciclo de cinema com obras-primas do documentário, série que será aberta esta terça-feira (1º de agosto) com “Mondo Cane”, que lançado em 1963, fez sucesso em todo o mundo pelo inusitado, insólito e irreverente conteúdo.

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Oscar L. Marzorati apresentará os filmes e a programação inclui em 15 de agosto “Fogo no Mar” (2016), de Gianfranco Rosi, que retrata a crise da imigração clandestina na Europa, a partir dos refugiados na ilha italiana de Lampedusa. Da mesma forma que “Mondo Cane”, indicado ao Oscar pela trilha sonora, “Fogo no Mar” concorreu como melhor documentário.

Dirigido por um trio muito especial que inclui Gualtiero Jacopetti, jornalista e documentarista; Paolo Cavara (diretor e roteirista) e Franco Prosperi, zoólogo especializado em ictiologia, o filme marcou época por criar um novo gênero, exibindo o que era considerado mais exótico por europeus, que hoje tornou-se comum em programas de TV, como alimentar-se de insetos, costumes entre asiáticos, captura de animais na África e sabe-se lá o que mais, pois o filme é tão antigo, que passados 55 anos, é interessante ver o que era motivo de espanto na época.

O ingresso é gratuito e é fácil estacionar em frente ao Instituto, na avenida Higienópolis mesmo. Além dos ciclos de cinema, o Instituto promove concertos, palestras, espetáculos teatrais e mostras de arte. A programação pode ser acompanhada no site do Istituto Italiano di cultura San Paolo, tanto pela internet quanto pela página da instituição no Facebook.

Claudia Bozzo
Quando o ex-presidente norte-americano Barak Obama visitou a Turquia, seu aliado na Otan, em 2009, foi recebido pelo então primeiro-ministro Recep Tayyip Erdogan, atual presidente do país. Ambos visitaram um dos cartões postais de Istambul, a catedral de Santa Sofia e lá deixaram-se seduzir pelo charme de Gli, o gato da basílica. A foto correu o mundo e Gli virou estrela. Meses depois, em visita à mesma catedral, o que mais atraia turistas era o gato: todos queriam fotografá-lo ou tirar uma selfie com ele.

Esse é um símbolo muito forte do amor que os turcos dedicam aos gatos e por Istambul, como dizem os anúncios de “Gatos” (Kedi, gato, em turco), documentário de Ceyda Torun, que estreou esta semana e tem recebido enorme atenção em todo mundo. Só nos Estados Unidos, por exemplo, foi uma surpresa o sucesso nas bilheterias pois rendeu mais de US$ 2,7 milhões. No site sobre cinema, Rotten Tomatoes recebeu um índice de aprovação de 98% e chegou a ser considerado “O ‘Cidadão Kane’ de documentários sobre gatos”, como relata o jornal britânico Guardian.

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Como a proporção de fãs de gatos só aumenta (nos Estados Unidos o número de ‘gatófilos’ duplicou em apenas 20 anos) há uma primeira e simples explicação para o sucesso do filme que traz a narrativa sobre as andanças de sete deles por uma das mais fascinantes metrópoles do mundo. A diretora Ceyda Torun comentou em entrevistas que muito tem mudado no país.

“As pessoas estão deprimidas e ansiosas… tentam mostrar resistência frente aos acontecimentos, mas é realmente difícil: há uma espécie de nuvem pairando sobre todas as coisas. Tudo aconteceu de forma distante enquanto filmávamos, no verão e 2014. Charlie (Charlie Wuppermann, cinegrafista e parceiro na empreitada) e eu debatíamos todo dia se era defensável fazer um filme sobre gatos, ao mesmo tempo em que ocorriam os problemas dos refugiados sírios ou as rebeliões no país. São tópicos muito importantes a serem explorados, mas ao mesmo tempo exigiam uma perspectiva que não tínhamos condições de prover na ocasião”, conta a cineasta, que viveu em Istambul até os 11 anos e atualmente mora em Los Angeles.

O que ela pretendia era “escrever uma carta de amor à cidade e aos gatos. Com o documentário eu podia imortalizar a beleza de Istambul – essa é a minha forma de resistência”.

Ela escolheu os gatos de rua que resumem as características: independentes, com personalidade, cada qual com sua típica atitude felina. Alguns não sobreviveram nos últimos anos, mas como conta Ceyda Turon, “outros são resistentes e jamais morrerão. Psikopat é um deles. Gamsiz vai muito bem, embora o padeiro que o alimentava tenha mudado”.
 
A cidade, que é a união de dois continentes, com o Bósforo cortando-a no meio, tem uma intensa atividade pesqueira e é de lá que vem boa parte da alimentação que os gatos recebem. Existe ainda o fato de os muçulmanos reverenciarem os felinos: há múltiplas referências de que o profeta Maomé tinha o seu gato. Segundo a diretora, a população, que era de quatro milhões em sua infância, supera os 20 milhões atualmente.

A paixão vem de longe. Para filmar “Zedi” foram entrevistadas muitas pessoas, entre elas escritores, poetas, cientistas e arqueólogos. Um zoólogo mostrou um esqueleto de gato com 3.500 anos, encontrado durante a escavação do novo túnel sob o Bósforo. Foi possível verificar que ele tivera uma pata quebrada, que só sarou porque certamente um humano a enfaixou, cuidando dele. O filme, com apenas 79 minutos, conta ainda que muitos dos gatos chegaram à cidade a bordo de navios, onde tinham a missão de controlar a população de ratos. Também são entrevistadas pessoas que cuidam de inúmeros gatos e o pescador que sai para seu trabalho na companhia de quatro deles.

Mas esse não é o único filme sobre felinos à vista. Depois do tolinho “Virei um Gato” (2016), com Kevin Spacey, há o britânico “Um Gato de Rua Chamado Bob” (2016) de Roger Spottiswoode, que entre muitas outras películas, entre elas um 007, em 1989 dirigiu o ótimo “Uma Dupla Quase Perfeita”, no qual Tom Hanks interpreta um policial, encarregado de cuidar de um cachorro cujo dono foi assassinado. O gato chamado Bob é sobre um rapaz, viciado em drogas, que tocava em esquinas de Londres para conseguir uns trocados que alimentassem seu vício. E ao passar a se apresentar ao lado do ruivinho Bob virou um sucesso de público, foi parar na internet, virou livro e filme também.

Claudia Bozzo
“Perdidos em Paris” é certamente uma das melhores comédias dos últimos tempos. Claro, não é para público de chanchada, ou que gosta de diálogos e situações rudes, escatológicas e vulgares. É exatamente o contrário de tudo isso. E é um refresco em época de férias escolares, com os cinemas atolados em blockbusters.

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Fiona Gordon (canadense) e seu marido Dominique Abel (belga), juntos há 40 anos, criam o roteiro, atuam e dirigem seus filmes, dois deles já exibidos no Brasil. Foram “Rumba”, de 2008, sobre um casal de dançarinos que enfrenta uma tragédia, mas mantém o ânimo e a poesia e “Iceberg” de 2005, que conta a história da gerente de um fast-food que uma noite fica presa por acidente no refrigerador do restaurante e percebe no dia seguinte que ninguém se deu conta de sua falta. Há outro filme do casal, “A Fada” (“La Fée”, 2011), que pode ser visto em versão integral com legendas em espanhol no YouTube.

Ambos são também atores de teatro e explicaram em entrevista a uma emissora francesa que no palco, o riso e as reações da plateia funcionam como música, e é no seu ritmo que eles seguem. No cinema, vão pela intuição, muitas vezes no improviso, com dois pés no surrealismo e sempre dá certo. Impossível não se enternecer com “Perdidos em Paris”.

Fiona, bibliotecária no Canadá, recebe uma carta da tia, que mora em Paris e pede ajuda, pois há quem queira colocá-la em um asilo. “Imagine, tenho apenas 88 anos” conta a tia, Martha, interpretada por Emmanuelle Riva, que foi indicada para um Oscar por sua dramática participação em “O Amor”, ao lado de Jean-Louis Trintignant, falecida este ano, dois meses após o lançamento do filme na França.

Fiona parte em busca da tia, com sua imensa e desajeitada mochila mas há um desencontro, pois Martha quer se esconder para não ser conduzida pela assistência social a um asilo. Nesse desencontro ela conhece Dom (Dominique Abel), um vagabundo de bom coração, que vai ajudá-la, de forma canhestra, a encontrar a tia. Outro par é formado, quando a tia conhece Duncan, interpretado pelo talentoso cômico francês Pierre Richard, nas telas desde 1958. Os dois veteranos atores interpretam uma das mais belas cenas do filme, ao formarem dupla numa delicada dança num banco. Com Fiona e Dominique, formam um quarteto irresistível.

Conhecidos na França como Abel e Gordon, os dois atores reinventam o burlesco ao optarem pela comédia física e homenageiam ícones como Jacques Tati, Chaplin, Harold Lloyd, o mímico Marcel Marceu, entre tantos outros, sem jamais se afastarem do bom gosto, da ironia e sutileza. Outra das belas cenas é Fiona sendo conduzida… por um cego, até o consulado canadense, a fim de conseguir novo passaporte, pois perde a mochila nas águas do Sena.

“Perdidos” é desses filmes que deixam o espectador leve, e o riso no cinema acaba sendo contagiante. E comprova que fazer humor é mesmo muito difícil. Afinal, são tão raras obras simpáticas e comoventes como essa, que não dá para deixar passar.

Claudia Bozzo
Nicole Garcia, a diretora do delicado, denso e sensível “Um Instante de Amor”(2016), já exibido na Mostra Varilux e agora em circuito normal teve, como atriz, mestres diretores como Bertrand Tavernier e Alain Resnais, com o qual fez o já clássico “Meu Tio na América” (1980). Já o seu prestígio como diretora permitiu-lhe ter em suas histórias atores como Catherine Deneuve e Jean-Pierre Bacri (“Place Vendôme”, 1998), Daniel Auteuil e François Cluzet (“O Adversário”, 2002) Gérard Lanvin e Jean Marc Barr (“O Filho Preferido”, 1994). E agora Marion Cotillard. Em “Um Instante de Amor” ela interpreta Gabrielle, uma instável e enigmática jovem.

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Bela, elegante, inteligente e talentosa são características que definem as duas, diretora e atriz, mesmo que algumas décadas de idade as separem. No momento, Cotillard é uma das mais requisitadas em vários países, e tem no currículo um Oscar, um Bafta e um César por seu papel em “Piaf: Um Hino ao Amor”, de 2007 e outros 75 prêmios. Foi indicada de novo ao Oscar por interpretar uma combativa trabalhadora, prestes a ser demitida, em “Dois Dias, Uma Noite” (2014).

No papel de Gabrielle, Cotillard traz uma intensidade que choca, ao passar do desejo praticamente irrefreável a um distanciamento misterioso e incompreensível, uma espécie de melancolia. De forma espontânea e imprevisível. O filme é baseado no livro ‘Mal de Pierres’ de Milena Agus, e Nicole Garcia explicou, em entrevista dada em Cannes, quando o filme foi exibido que “foi a própria natureza da personagem, mulher feita desejo que não se reprime e reza a Jesus pedindo que lhe dê ‘la chose principale’. A expressão mexeu comigo. Essa coisa é o sexo, mas também é sagrada. Nós, mulheres, não somos estimuladas, na vida social, a externar nosso desejo, e menos ainda dessa maneira franca e direta.”

Vivendo no campo, em meio a plantações de lavanda, com os pais e a irmã, uma família tradicional e católica, na década de 1950, ela cria constrangimentos que levam sua mãe a sair em busca de um marido que lhe traga a desejada contenção. E o casamento é acertado como se fora um negócio, com o pedreiro José (interpretado pelo catalão Alex Brundemühl, que em 2013 fez o papel de Joseph Mengele em “O Médico Alemão”). Gabrielle alerta o marido de que não terá intimidade com ele e ainda indaga se isso será um problema. “Não”, ele responde. “Há outras mulheres para isso”.

A construção do filme é bastante interessante. Começa com Gabrielle, José e o filho, no banco de trás, dirigindo-se para um concurso de piano em Lion, quando ao passar por uma rua ela nota um endereço. Desce do carro e diz aos dois que sigam, ela os encontrará depois. Há um corte e voltamos à história da jovem, que sofria de dores definidas como câimbras pela mãe.

Já casada, ela vai ao médico, que lhe recomenda uma internação em clínica na Suíça, para tratar-se de ‘mal de pierres’, ou pedras nos rins. O local é o mesmo retratado no livro de Thomas Mann, A Montanha Mágica, escolhido porque na França todas as instituições desse tipo foram renovadas e essa mantém a arquitetura original. Lá ela conhece O tenente André Sauvage (interpretado por Louis Garrel), também em tratamento e vindo da Indochina. Do interesse ela rapidamente passa à paixão e ao amor sem freios.

Nicole Garcia explicou em entrevista o que representa a história para ela: “para mim o cinema está conectado à imaginação. A imaginação tem a função de consertar as coisas que não funcionam na vida. Isso é cinema para mim e é o que a imaginação faz por Gabrielle”. É uma bela explicação para o final escolhido. E uma boa notícia: um filme francês sem final em aberto….

Claudia Bozzo
“Uma Família a Dois” (2016), o filme francês já exibido no Festival Varilux, que entra em cartaz esta semana, é um caso raro no cinema francês. Embora à primeira vista pareça ser o remake do ótimo “Kramer Versus Kramer”, de 1979, dirigido por Robert Denton e tendo Dustin Hoffman e Meryl Streep, suas origens são mais singelas. É um remake sim, mas de um filme mexicano de 2013, “No se aceptan devoluciones”, de Eugenio Derbez. 

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Promete grande bilheteria, pois traz como chamariz o companheiro de François Cluzet em “Os Intocáveis”  –  a história do milionário quadriplégico que reencontra o prazer de viver graças ao seu irreverente cuidador, no caso, Omar Sy. Esse filme fez grande sucesso na França em 2014 (quando tornou-se o mais rentável do cinema francês e rendeu um César de melhor ator a Omar Cy). 

O diretor de “Uma Família a Dois”, Hugo Gélin, vem da aristocracia cinematográfica, pois é neto de um dos mais famosos atores do país, Daniel Gelin. Também é autor do roteiro de “A Gaiola Dourada”(2013) sobre um casal de portugueses, que durante 30 anos vive em um elegante prédio na capital francesa e decide então retornar à terrinha. Lançado no Brasil em 2014.

A narrativa de “Uma família” tem toques edulcorados e é descaradamente melodramática ao contar a história do folgado e festeiro Samuel que ao acordar com fortes batidas à porta acaba recebendo um bebê de uma bela jovem (Clémence Poésy) bem no estilo “toma que o filho é seu”. Ela ainda lhe pede dinheiro para pagar o táxi. Por esse caminho, lembra outro filme francês, de alta qualidade, “Três Homens e um Bebê” (1986, de Colie Serreau), que também rendeu remakes, como o norte-americano, e uma continuação, “18 Anos Depois” (2003), da mesma diretora e com o elenco original. 

Samuel, todo inseguro para cuidar da filha Gloria (Gloria Colston), sabendo que a mãe (Kristin) partira para Londres, vai à sua procura, tentando devolver a bebê. Não a encontra, é claro, mas torna-se um dublê de sucesso, ganha muito dinheiro e dá à filha um elevado padrão de vida na caríssima Londres, graças à amizade com Bernie (Antoine Betrand) que lhe abre muitas portas na cidade. Um pai ideal, uma filha perfeita, amigos leais, uma escola perfeita. Precisa mais para retratar a felicidade? 

Sim, a bruxa malvada, que vem na figura da mãe, acompanhada do namorado, pedindo a guarda da filha. O filme derrapa em todos os clichês possíveis, incluindo a interpretação de Omar Sy, bem “over”. Ele está bem em “Chocolate” (2016) e “Samba“ (2014) e seu currículo inclui incursões em blockbusters. Mas essa família de dois deve ser evitada por diabéticos. E também por quem gosta de um pouco mais de sutileza.

Claudia Bozzo
Exibida em 55 cinemas brasileiros, a Mostra Varilux de Cinema Francês está de volta e vai até 21 de junho em 12 cinemas paulistanos. Traz uma grande variedade de temas, da comédia ao drama, e atores de primeira linha. O festival, como sempre, tem o melhor do bom cinema comercial francês e a programação – com os trailers de cada um dos filmes – pode ser consultada pela internet. 

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Entre outros, “Rodin”, de 2017, que marca o centenário da morte do escultor e o retrata depois dos 40 anos, logo após a conquista de sua primeira encomenda oficial do governo francês, a criação da Porta do Inferno. O filme de Jacques Doillon traz no papel principal um dos melhores entre os melhores atores franceses, Vincent Lindon (de “A Lei do Mercado”, 2016). Foi apresentado em Cannes este ano e indicado para sete prêmios, entre eles o de melhor roteiro para o diretor. 

Embora tenha a sensibilidade de mostrar o artista criando, pensando e analisando a obra, tendo em mente “O Inferno” de Dante Alighieri, o filme cai numa visão exageradamente “cool”, que o torna até mesmo enfadonho. Mas as informações sobre dilemas, sofrimento e angústias gerados na criação artística deixam sua marca, da mesma forma como são expostos os conflitos internos de Rodin em trabalho que levou 37 anos para ser feito, sem sequer ter sido formalmente terminado. 

Longe do impacto causado pelo excelente “Camille Claudel” (1988) de Bruno Nuyten, diretor e roteirista, com Isabelle Adjani e Gérard Depardieu, que é um drama rasgado e coloca o foco na relação entre mestre e aprendiz, depois parceira e amante, o recente “Rodin” tem quase que um caráter didático, ao expor o método de trabalho do genial escultor e suas relações com modelos, clientes e críticos.

A escultura que ele fez de Balzac, uma das mais importantes de suas obras, é dissecada, assim como detalhes da Porta do Inferno, talvez sua obra de maior prestígio, que já esteve em São Paulo, na Pinacoteca, na inesquecível mostra sobre o artista, em setembro de 2001. 

O filme de Doillon inclui, é claro, o relacionamento de Rodin com Camille Claudel, mas deixa clara a forte ligação dele com a esposa, Rose, com a qual se casou em 1864, e viveu até sua morte. 

Outro dos filmes interessantes do festival é “Frantz”, de François Ozon, o mesmo diretor de “8 Mulheres” (2002), “Potiche – Esposa Troféu” (2010) e do intrigante “Uma Nova Amiga “ (2014). 

O filme, co-produção franco-alemã, parece caminhar em direção à reconciliação. Uma jovem alemã que ainda sofre com a morte do noivo, na Primeira Guerra, em batalha na França, nota a visita de um jovem francês que deposita flores no túmulo do soldado morto.

Hostilizado pelos moradores da cidade natal do soldado Frantz, e pela família dele, Adrien (Pierre Niney) vai-se aproximando. Mas é uma obra François Ozon, não nos esqueçamos. Ele é um diretor que domina a delicada e imprecisa osmose entre audácia e lirismo. 

Mesmo longe da irreverência de “Sitcom” (1998) onde mescla os problemas de uma família rica com homossexualidade, tendências suicidas e um gigantesco rato, o caminho de “Frantz”  é tudo, menos linear. E Ozon mostra que é um cineasta cada dia mais sólido, estruturado e maduro.

Outro filme que promete é “Perdidos em Paris” do belga Dominique Abel e da australiana Fiona Gordon, o mesmo casal de “Rumba”(2008) e “Iceberg (2005) comédias irreverentes e originais. Para ter uma ideia do astral dessa dupla, deve-se ir ao YouTube em busca de um trailer de “Rumba”. Em “Iceberg”, exibido pela TV5, Fiona é a gerente de uma loja de congelados que passa a noite trancada acidentalmente no freezer do estabelecimento. Mas o marido não percebe sua ausência. O fato muda sua vida. Portanto, muito a esperar de “Perdidos em Paris”.