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Klaus Kleber
O fato de as importações nacionais terem crescido 7,8% de janeiro a agosto em comparação com o mesmo período do ano passado é sinal de retomada da economia e assim é tido inclusive por instituições internacionais, como a Organização Mundial do Comércio (OMC).

E, como se tem visto, a exportações, embora avançando mais lentamente (5,33% no período considerado), ainda garantem um superávit comercial recorde, que pode chegar a US$ 60 bilhões este ano.

A questão que alguns empresários vêm colocando é, se mantida a sobrevalorização do real, o crescimento da economia a taxa mais expressivas, a 3% ou 4% ao ano de 2018 em diante, acabaria canalizando uma grande parte do consumo interno para a importação, enquanto indústrias nacionais continuariam com grande capacidade ociosa.

Parece uma preocupação excessiva com uma coisa que ainda não aconteceu. A cotação do dólar deu recentemente uma deslizada e fechou na última semana em R$ 3,17, o que se tem atribuído à situação política interna e à valorização da moeda americana no mercado internacional. Contudo, não se pode negar que essa apreensão tem cabimento.

Como se tem visto, o Banco Central (BC) tem feito intervenções no mercado sempre que a cotação do dólar passa de R$ 3,25. A manutenção do câmbio flutuante continua, oficialmente, continua sendo um dos pilares da política econômica em vigor e, recentemente, o ministro Henrique Meirelles declarou que mexer com o câmbio não dá certo.

Mas o que se tem notado na prática é que o BC não descarta fazer uma manobra “suja” sempre que o real se desvaloriza mais do que os técnicos do BC consideram razoável, recorrendo a “swaps” cambiais, instrumento que a administração anterior de Alexandre Tombini usou e abusou.

E isto é feito, como convém, em nome do combate à inflação, sem esquecer que há muitas empresas brasileiras estão endividadas no exterior, entre elas a Petrobrás, a maior de todas. O que se pergunta é se o BC manterá a mesma política cambial se a taxa de inflação fechar este ano abaixo de 3%, como tudo está a indicar?

Pode ser que não, pois não haveria tanto temor dos efeitos inflacionários. Mas, na realidade, é que, apesar do movimento recente, a tendência do real é de valorização com a entrada de recursos externos não só para aplicação em ações e em títulos públicas, como em razão do processo de privatização, que, como se observou na venda de usinas da Cemig, tem atraído quase exclusivamente empresas estrangeiras.

Quer dizer, com o real tendendo a se valorizar mais, a autoridade monetária pode continuar falando de boca cheia em câmbio flutuante.

written by Leonardo Trevisan


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