nov 02

Leonardo Trevisan
O nome é Sawyer. Até pode parecer um operário, mas não é. Também não é só um robô. Sawyer foi pensado para “trabalhar em equipe”. A diferença está em que esse robô não quer substituir seres humanos. Ele foi desenvolvido para trabalhar ao lado de gente.

É melhor chama-los de “robôs colaborativos” como fez a The Economist. A inovação não está na destreza ou na capacidade de fazer tarefas de rotina. Isso os robôs da geração anterior já fazem. Sawyer inova muito, tanto porque tem um braço só, simbologia óbvia para quem existe para trabalhar em equipe, como por ter um “rosto”, uma tela que exibe traços faciais.

A Economist destaca a função dessa tela. Sawyer foi desenvolvido para trabalhar em ambientes onde pensamentos humanos, formas humanas de comunicação e a segurança das pessoas são essenciais.

Este robô, primeiro, avisa com o olhar e só depois faz. Como nós, que olhamos antes para uma xícara, antes de pega-la. O alvo desse aviso, desse olhar, é “integrar intenções”. É aqui que Sawyer vira mesmo “colaborativo”. A tela tem traços faciais quase humanos, como o das histórias em quadrinhos.

A pesquisadora Daniela Rus do MIT avançou na capacidade desses robôs de integrar intenções: ele vê o erro que o humano ao seu lado fez, avisa e o corrige. A íntegra do artigo está em:

https://www.economist.com/news/science-and-technology/21726686-bots-factory-are-being-taught-how-behave-robots-work-people

O avanço real está em ler a face do robô para integrar movimentos com os humanos. Por isso Sawyer tem um braço só. Imaginar que robôs colaborativos atuarão só em linha de produção industrial é ingenuidade. Pense na lógica de “integração de intenções” dos sucessores de Sawyer em uma sala de aula por exemplo. Pense nos robôs colaborativos nos hospitais. Ou, em qualquer escritório.

Nenhuma carreira estará imune à expectativa de colaboração dos sucessores de Sawyer, que tem um braço só, mas são capazes de ver e registrar erros e atrasos dos humanos. E corrigi-los. Sem briga. A chegada dessas máquinas será muito rápida. Toda empresa, de qualquer setor, que pensa em preservar competitividade, em breve, terá alguns deles.

(setembro de 2017)

written by Leonardo Trevisan


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