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BC não pode fugir à cartilha de Guedes

Klaus Kleber O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto,  terá pouco mais de uma semana para mostrar a que veio.  Nos dias 18/19 deste mês, reúne-se o Comitê de […]

10/06/19

Klaus Kleber

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto,  terá pouco mais de uma semana para mostrar a que veio.  Nos dias 18/19 deste mês, reúne-se o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC e são grandes as pressões para que haja uma redução, ainda que de 0,25 p.p., da taxa básica de juros (Selic), estacionada em 6,5% desde março de 2018.

Um pequeno corte agora teria um sentido simbólico, mostrando que a equipe econômica está mais preocupada do que parece com a estagnação da economia, o que poderia dar um sopro de otimismo quanto ao futuro.

Com o baixo resultado da inflação de maio (0,13%), trazendo a taxa acumulada do IPCA em 12 meses para 4,66%, em um ambiente de paradeira na economia, com um comportamento moderado da cotação do dólar em torno de R$ 3,85 e o preço do petróleo em baixa, haveria condições para baixar levemente a Selic.

Mesmo porque já surgem análises de que o IPCA fechará o ano abaixo de 4% e o crescimento do PIB não deve chegar a 1% este ano.

Mas o atual governo está jogando todas as suas fichas na aprovação da emenda constitucional relativa à reforma da Previdência. Se a Câmara dos Deputados aprovar o projeto de reforma, o Ministério da Economia poderia saltar as rédeas da economia, aliviando certos contingenciamentos orçamentários e permitindo alguns investimentos em infraestrutura, por maio de parcerias público-privadas.

A aprovação da Câmara à mãe de todas as reformas, porém, é inviável a curtíssimo prazo. Os mais otimistas consideram que isso pode ocorrer antes do recesso parlamentar no início de julho. Na prática, isso poderia significar que o Copom manterá a Selic inalterada mais uma vez.

O presidente do BC, que até agora, não se fez ouvir sobre temas importantes, deve manter o silêncio. Uns dizem que Campos Neto é um dois de paus, está na chefia do BC por indicação do ministro da Economia Paulo Guedes e não fugirá à cartilha do ministro. No jogo político-econômico atual, o BC é neutro e sua diretoria permanecerá insistindo em que a missão da autoridade monetária diz respeito apenas ao controle da inflação. E, mesmo que ela cai, como agora acontece, o BC não deve interferir nas diretrizes centrais da política econômica.  Ou seja, nada feito.


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