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Balança comercial dá a única boa notícia

Klaus Kleber Depois de tantos desastres, falar de coisas boas neste momento é difícil, mesmo nos limitando à economia. A única coisa que se pode afirmar quanto à reforma da […]

11/02/19

Klaus Kleber

Depois de tantos desastres, falar de coisas boas neste momento é difícil, mesmo nos limitando à economia. A única coisa que se pode afirmar quanto à reforma da Previdência é que ela é “prioritária”, como não se cansam de dizer ministros e os presidentes da Câmara e do Senado. Como será a reforma, ninguém sabe ao certo, até que o presidente Bolsonaro, que continua hospitalizado, possa bater o martelo. A peça decisiva depende de cuidados médicos…

Se há um sinal positivo quanto à economia é que a balança comercial continua tendo um bom desempenho. Alguns jornais destacaram, no título, que o saldo da conta de comércio em janeiro de 2019 (US$ 2,192 bilhões), foi 22,4% inferior ao do mesmo mês do ano passado.  Mas este não é o ponto: apesar da queda das cotações internacionais de commodities exportadas, as vendas externas brasileiras aumentaram 9,1%, um recorde para o mês, alcançando US$ 18,579 bilhões.

O saldo positivo diminuiu, como vem ocorrendo nos últimos meses, chegando a US$ 16,387 bilhões_. Isso, porém, não ocorreu por causa de uma busca frenética de produtos importados.  Bem ao contrário, as compras de bens de consumo do exterior caíram 3,6%. Também tiveram um decréscimo significativo as importações de combustíveis e lubrificantes (-12,5%). O que pressionou mesmo as importações foi um aumento de 156,2% na compra de máquinas e equipamentos.

Normalmente, isso seria uma ótima notícia. Acontece, porém, que as importações aumentaram tanto por causa de mudanças no Repetro, ou seja, no regime especial aduaneiro para equipamentos petrolíferos. Pelo novo sistema para contabilização de plataformas de petróleo, as operações são classificadas como importação (US$ 2,3 bilhões em janeiro) ou de exportação (US$ 1,3 bilhão em janeiro), conforme o caso. Anteriormente, plataformas fabricadas do exterior, eram sempre consideradas “exportação”, ficando a Petrobrás e outras petroleiras obrigadas a pagar um “aluguel” periódico pelo seu uso.  Essa mamata acabou.

Além das plataformas, houve compras de veículos de carga, helicópteros e máquinas de impressão. Tudo isso é bom, mas seria bem melhor se as indústrias nacionais estivessem adquirindo no exterior bens de capital para sua atualização tecnológica, melhorando a sua capacidade de competir melhor lá fora.

De qualquer forma, é muito cedo para falar em recuperação da economia.


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