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Até no imposto de renda já aparece automação versus emprego

Leonardo Trevisan Números do imposto de renda também podem ajudar a pensar melhor sobre carreiras. Em 2014, entre os que fizeram a declaração anual, já havia 7.9 milhões de autônomos, […]

por Leonardo Trevisan
25/11/17

Leonardo Trevisan
Números do imposto de renda também podem ajudar a pensar melhor sobre carreiras. Em 2014, entre os que fizeram a declaração anual, já havia 7.9 milhões de autônomos, microempreendedores, empresários, ante 8,9 milhões que informaram ser empregados com carteira assinada. Os cálculos são do professor José Roberto Afonso, do Instituto Brasiliense de Direito Público.

Escondidos nesses milhões de autônomos estão milhares de formas novas de trabalho. Parte considerável deles são produto da automação, da prestação de serviço por plataformas digitais. Não há pesquisas sobre quantas dessas 7,9 milhões de declarações são “filhas da automação”. Mas, são muitas.

O que fazer com esta realidade? Dois fatos são indiscutíveis. Um, esse processo é mundial, não só daqui. Nem, só da “sua” empresa ou setor. Dois: o melhor caminho para cuidar “dele” é informar-se melhor.

Artigo da edição de 20/04 da Nature, de Tom Mitchell e Erik Brynjlfsson, explica como lidar melhor com robôs e empregos. O texto não vende ilusão: automação provoca maior desigualdade e mais pressão social. Os autores insistem que é preciso reformular políticas, tanto públicas, como as de cada empresa. O texto (em http://www.nature.com/news/track-how-technology-is-transforming-work-1.21837) mostra que na organização, os tomadores de decisão carecem de informações reais sobre automação.

Nas empresas, pondera a Nature, não é só que não se sabe a solução sobre dramas da robótica. Na verdade, não se fazem as perguntas certas. Principalmente, porque se busca informação no lugar errado. Os autores recomendam que se colete dados nas outras empresas que já dependem de plataformas digitais para operar, buscando entender o que é essa “nova força de trabalho”, pós-automação. Nos sites eletrônicos de emprego, tipo Linkedin, há dados para entender melhor as “novas habilidades” pretendidas pelos empregadores destes “novos” trabalhadores. E insiste: políticas públicas ou decisões de empresa devem fazer “pequenos experimentos” antes de expandir decisões sobre “populações inteiras”.

Automação vai impactar qualquer carreira. É ingênuo não aceitar este fato. A questão essencial é saber como lidar com ela. Como os dados do IR já sinalizam.


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