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Alta do dólar agora não é um Deus nos acuda

Klaus Kleber Não foi surpresa que o Banco Central (BC) tenha feito uma intervenção no mercado de câmbio na última semana com vistas a conter a valorização do dólar, utilizando […]

07/05/18

Klaus Kleber

Não foi surpresa que o Banco Central (BC) tenha feito uma intervenção no mercado de câmbio na última semana com vistas a conter a valorização do dólar, utilizando o conhecido instrumento do swap cambial, em contratos no valor de US$ 445 milhões.

Essa forte pegada não adiantou muito e pode-se esperar que a autoridade monetária volte a intervir na semana que se inicia, na tentativa de segurar a cotação do dólar abaixo de R$ 3,50. Pode ser consiga, mas a estabilização pode vir a ser muito mais difícil nos próximos meses, a depender da evolução político-eleitoral.

Sem dúvida, há fatores ligados à economia dos EUA que têm determinado a desvalorização das moedas dos países emergentes, de modo geral. Contudo, como alguns analistas têm observado, o real, especificamente, estava sobrevalorizado, criando uma situação insustentável por muito mais tempo. Vinda agora, a desvalorização não é um deus nos acuda porque a inflação está em nível muito baixo.

Sim, haverá repercussões sobre os preços de produtos importados, como combustíveis, alimentos como o trigo e insumos industriais, mas isso não parece dramático. Em outros tempos, uma alta de combustíveis determinaria reajustes em cadeia de preços em toda a economia, mas agora nem tanto, estando a economia anda bastante desaquecida.

O preço dos derivados de petróleo, aliás, já vinham aumentando em razão da alta da cotação do petróleo no mercado internacional, mas sem maiores repercussões inflacionárias. O reajuste dos preços da gasolina, por sinal, pode ser amenizada, em grande parte do País, com maior uso de etanol, cuja produção cresceu muito.

Além disso, diferentemente da Argentina, o Brasil encontra-se em uma situação cambial folgada, com reservas de |US$ 381,82 bilhões. Normalmente, a desvalorização do real deveria favorecer a exportação e é possível que isso ocorra agora com relação a produtos manufaturados, embora essas vendas possam ser prejudicadas por reações protecionistas, como a imposição de cotas sobre a exportação brasileira de aço pra os EUA por obra do governo Trump. Pode ser também que a contração da economia argentina afete a venda de produtos brasileiros.

Uma coisa parece certa. O Comitê de Política Monetária (Copom) do BC não deve baixar a taxa básica de juros, hoje em 6,5%, em sua reunião marcada para 15/16 de maio.


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