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Abertura para o mundo seria “marxismo cultural?

Klaus Kleber Depois de todos os imbróglios diplomáticos provocados por declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro, seus futuros ministros e sua prole, culminado com a retirada abrupta de oito mil […]

19/11/18

Klaus Kleber

Depois de todos os imbróglios diplomáticos provocados por declarações do presidente eleito Jair Bolsonaro, seus futuros ministros e sua prole, culminado com a retirada abrupta de oito mil médicos cubanos que trabalham no País, era de se esperar que o escolhido para chefiar o Ministério das Relações Exteriores (MRE) fosse um diplomata e moderado, com grande experiência em missões externas ou nos foros internacionais.

Ao contrário de tudo isso, o futuro chanceler será Ernesto Araújo, um diplomata desconhecido fora do Itamaraty, com pouco trânsito no exterior, e que chamou a intenção da imprensa, nos últimos meses, por artigos por seus artigos candentes contra a globalização econômica, que se seria produto do “marxismo cultural” e por seu apego à civilização cristã ocidental, que estaria sendo defendida nos dias de hoje pelo presidente dos EUA Donald Trump.

Para alguns analistas, não foi surpresa nenhuma. Esperavam até coisa pior. Alguns afirmam que o vice-presidente eleito Hamilton Mourão tinha outro candidato, mas perdeu a disputa com o deputado Eduardo Bolsonaro e sua turminha, que tem como guru o ideólogo da direita Olavo de Carvalho, residente há anos nos EUA. O próprio Eduardo tem-se aconselhou com Steve Bannon, ativista de extrema direita e que atuou como estrategista da campanha de Trump e serviu alguns meses na Casa Branca. Eduardo sente-se empoderado e tem viagem marcada para os EUA este mês para beber novos ensinamentos na fonte.

Há comentaristas têm preferido não criticar Araújo nesta fase, sob o argumento de que é preciso esperar até que ele, junto com o presidente, defina as novas linhas mestras da política diplomática do País e comece a atuar para implementá-la. E ponderam que muito vai depender de quem será indicado para ser secretário-geral do Itamaraty, que seria encarregado de colocar panos quentes para evitar situações mais embaraçosas.

Pode ser, mas, ao que tudo indica, o Brasil em vez de procurar lucrar, como vem acontecendo ainda que provisoriamente, com a guerra comercial envolvendo os EUA versus China e EUA versus União Europeia (UE), pode acabar engolido por ela.

Os economistas mais sensatos têm advertido que guerra comercial não interessa a ninguém, pois o comércio mundial como um todo sairá perdendo. A postura mais indicada para o Brasil parece ser a de manter uma distância desses conflitos, procurando amenizar seus impactos aqui, não um alinhamento automático a Trump.

O que muitos parecem não entender é que buscar novos mercados na África, na Ásia ou em qualquer parte do mundo não deve significar, de forma alguma, deixar de lado o incremento das relações comerciais, ou econômicas em sentido amplo, com os EUA e outros países ricos.

A pergunta que fica é: a abertura do Brasil para o mundo seria “marxismo cultural”?


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