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Abertura da BR e dispersão do capital

Klaus Kleber Fez bem a direção da Petrobrás em decidir pela abertura do capital da BR Distribuidora. A alternativa era a privatização da subsidiária mediante leilão ou compartilhamento do controle, […]

27/11/17

Klaus Kleber
Fez bem a direção da Petrobrás em decidir pela abertura do capital da BR Distribuidora. A alternativa era a privatização da subsidiária mediante leilão ou compartilhamento do controle, o que poderia render mais de imediato aos cofres da estatal do petróleo, mas, nos dois casos, haveria o risco de formação de um oligopólio ou de desnacionalização. Já com a abertura do capital da BR Distribuidora, haverá dispersão de capital entre centenas ou milhares de acionistas, transformando a empresa em uma sociedade de economia mista, que pode, sim, vir a ser bem administrada, desde que adote critérios de governança corporativa.

Prevê-se uma oferta inicial de 25% das ações da Distribuidora, que pode ir a ser complementada com a venda de papeis adicionais, que elevaria a participação dos acionistas interessados a 33,75% do capital da empresa. Com o passar do tempo e dependendo das circunstâncias, a Petrobrás pode vender mais ações da BR e talvez alienar seu controle, presumindo que seja mantida a dispersão do capital, ou seja, a despersonalização da propriedade, acompanhando a tendência do capitalismo nos países mais desenvolvidos.

O preço inicial da oferta do papel da BR foi estipulado entre R$ 15 e R$ 19, esperando-se que renda, no máximo, R$ 7,5 bilhões à Petrobrás. Considerando que a dívida total da estatal é calculada em R$ 280 bilhões, o dinheiro que a BR trará para o caixa da estatal, por si só, não resolve. Mas, como deixou claro o próprio presidente da estatal, Pedro Parente, a estatal vai vender outros ativos para aliviar seu endividamento e cumprir a meta de se desfazer de bens no valor total de R$ 21 bilhões até o fim de 2018.

O mercado reagiu bem à decisão de abrir o capital da BR, A grande questão que fica é saber de a decisão da Petrobrás é apenas episódica ou se representaria uma retomada pelos responsáveis pela condução da política econômica da orientação que levou Banco do Brasil (BB) em 2013 a abrir o capital da BB Seguridade, recolhendo a seus cofres R$ 11,475 bilhões, em vez de simplesmente privatizar a subsidiária.

Não se deve uma resposta definitiva quanto a isso no atual governo. No próximo, porém, esse tema vai se colocar. Fala-se, por exemplo, em “privatizar” a Caixa Econômica Federal. Dada a concentração bancária hoje existente, não faria sentido vendê-la para os grandes instituições nacionais ou para bancos do exterior. A abertura do capital poderia ser a solução ideal.

Voltaremos ao assunto.


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