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A retomada sempre adiada

Klaus Kleber      A maior questão que se coloca neste momento é se, com  13,1 milhões de desempregados e outros 4,9 milhões desalentados, que desistiram de procurar emprego, o País aguenta […]

01/04/19

Klaus Kleber     

A maior questão que se coloca neste momento é se, com  13,1 milhões de desempregados e outros 4,9 milhões desalentados, que desistiram de procurar emprego, o País aguenta ficar esperando até que a economia volte a decolar, o que só poderia acontecer a partir de 2020, como dizem empresários?

Vamos dar de barato que, se Bolsonaro e o Congresso finalmente se entenderem, a emenda de reforma da Previdência Social poderia ser aprovada na Câmara dos Deputados no primeiro semestre e, no Senado, até o fim do ano. Assim, o governo conseguiria colocar as contas públicas nos eixos e haveria uma melhora significativa da imagem do País junto a investidores externos e começariam a fluir vultosos investimentos para o Brasil.

Simultaneamente, empresas e investidores brasileiros, que atualmente estão na retranca, se animem e que novas fábricas, lojas, restaurantes, salões de beleza possam ser abertos ou reabertos e que os caminhoneiros possam ter carga, etc.

Tudo bem, mas o que fazer enquanto isso não ocorre. Basta um anúncio de que uma empresa está oferecendo vagas para que filas quilométricas se formarem à sua porta, uma cena hoje comum nos grandes centros do Pais. Na semana passada, uma multidão lotou o Vale do Anhangabaú, havendo muita gente que estava ali desde a madrugada para pegar uma senha para candidatar-se a um emprego com salário de R$ 1.500. Isso em São Paulo, onde as coisas estariam um pouquinho melhor. 

Essa situação pode persistir durante meses a fio sem que o governo não faça nada? Não seria o caso de lançar um programa de emergência para terminar obras paradas, envolvendo até casas populares?  Isso foi prometido durante a campanha eleitoral, mas ainda não emplacou.

A ordem é arrocho. O governo central bloqueou R$ 30 bilhões do orçamento, temendo que a meta fiscal não seja cumprida este ano, os Estados estão à míngua e os que têm algum em caixa mandam reestudar projetos. Os municípios, quase todos quebrados, não têm recursos nem mesmo em caso de calamidade, ficando na dependência de verbas especiais.  O empresariado deixou de fingir esperança.

Seria o caso de baixar a taxa básica de juros, há mais de um ano estacionada em 6,5%, para estimular os negócios? Como tem sido dito e redito, o Banco Central (BC) está preocupado apenas em manter a inflação sob controle e sua diretoria não acha que chegou o momento de relaxar.

Talvez a única coisa boa que se pode dizer é que o Ministério da Infraestrutura está agindo, promovendo leilões de privatização de aeroportos e terminais marítimos.  Isso pode, sim, gerar empregos com as obras de modernização previstas. Não se vê mais nada e dizer que 2020 está logo ali na esquina parece otimismo. 

P.S. – “Onde estava você no dia 31 de março de 1964?” –um amigo costumava perguntar a velhos companheiros a cada aniversário dessa efeméride. Todos se lembravam. Eu estava em um bar no centro de São Paulo, onde ouvi pelo rádio a notícia de que o general Amaury Kruel, comandante do II Exército, aderira ao movimento iniciado sob o comando do general Olympio Mourão Filho. Foram 21 anos de ressaca.


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