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A primeira série policial inglesa ninguém esquece

Claudia Bozzo A primeira série policial inglesa que se vê, ninguém esquece. Foi o caso de “O Principal Suspeito”, criada em 1991 (Prime Suspect), no qual Helen Mirren, sem dúvida […]

22/06/14

Claudia Bozzo

A primeira série policial inglesa que se vê, ninguém esquece. Foi o caso de “O Principal Suspeito”, criada em 1991 (Prime Suspect), no qual Helen Mirren, sem dúvida uma das melhores atrizes do planeta, interpreta a ambiciosa inspetora Jane Tennison. A série, exibida aqui pela HBO, e depois pelo Telecine, tem episódios inesquecíveis, com interpretações impecáveis, personagens sólidos, roteiros inteligentes e criativos. Teve seu “Final Act” em 2006 e uma réplica nos Estados Unidos – esta, até onde se sabe – jamais apresentada aqui e que só teve duas temporadas (2010 e 2011). Mas é bem difícil que a série americana tenha feito pela original o que os britânicos fizeram por “Law & Order”, com “Law & Order UK”: melhorá-la.

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Sorte de quem tinha o canal Eurochannel quando ele ainda era bom. Foram exibidas “Ballykissangel”, uma série que se passa na Irlanda e mostra a chegada de um padre inglês à cidade, vivido por Stephen Tompkinson, atualmente em “DCI Banks” (que a BBCHD exibe às vezes para tapar lacunas na programação, mas fica sempre só na primeira parte). Esse mesmo ator intepretava o parvo repórter de “Drop the Dead Donkey”(1990-1998), sobre uma hilária redação em um noticiário de TV. Foram muitas e memoráveis aquelas séries do Eurochannel: “A Bit of Fry and Laurie” (1987 a 1995), por exemplo, com Stephen Fry e Hugh Laurie (o “House” que poucos acreditavam ser inglês), “EuroTrash” (1993 a 2007), do Channel Four, apresentada por Jean Paul Gaultier e Antoine de Caunes, que durou 16 temporadas, e foi um dos mais bem sucedidos programas, com cerca de três milhões de espectadores por apresentação, de 30 minutos. Do que se tratava? Bizarra! Só vendo no YouTube para entender. “One Foot on the Grave”, sobre um muito mal-humorado aposentado e sua “santa” esposa, que durou 10 anos. “Dalziel and Pascoe”, “Hamish Mc Beth”, “New Tricks” “Absolutely Fabulous”. E tantas outras…

Hoje as séries estão disponíveis nos canais de TV a cabo, como o BBCHD, HBO, +GlobosatHD, A&E, no Netflix e também à venda em DVD, como “Wallander” (o britânico, com Kenneth Branagh) ou “Luther”. Estão também na internet, com legendas e tudo (na pior das hipóteses, com legendas em inglês). Basta um programa para baixar os episódios ou filmes e um bocado de memória extra – além de paciência – e a festa está feita. Para escolher uma série que você possa chamar de sua, as melhores fontes de pequisa são o InternetMovieDatabase (www.imdb.com) e o YouTube. A partir de suas buscas, esses sites sempre indicam uma série ou filme sobre tema parecido, e de link em link descobre-se um mundo de novidades.

Quais séries buscar? Tem para todos os gostos. As policiais, tratando-se de britânicos, são sempre fora de série.  A HBO contribuiu muito para a divulgação dessas séries, exibindo sempre o melhor do melhor, como por exemplo “Rastros da Maldade” (“Wire in the Blood”), iniciada em 2002, com seis temporadas, na qual Robson Green interpreta um psiquiatra que é consultor da polícia, e depois foi imitado em vários idiomas. Além de “Life on Mars” com John Simm, o policial que volta inexplicavelmente ao passado. A série teve sua versão feminina, com “Ashes to Ashes”, também exibida pela HBO.

A grande vantagem das séries inglesas sobre as outras? Interpretação, roteiro e criatividade. É sempre bom acompanhar atualmente a programação da BBCHD (e também da +GlobosatHD), que já exibiram todas as temporadas de “Wallander”, “Luther” “Sherlock Holmes” e “Above Suspicion” “Inspector George Gently”, além de séries interessantes como “Call the Midwife” (“Chamem a Parteira”). Ou incríveis documentários, como “Galápagos” ou “South Pacific”, este narrado por Benedict Cumberbatch, o Sherlock Holmes.

Com sua temporada na Copa do Mundo abreviada pela derrota frente ao bravo Uruguai, os ingleses receberam de Luis Fernando Veríssimo um comentário bem maldoso, dizendo que eles não conseguem acabar bem o que começam, pois inventaram a Revolução Industrial, e depois ficaram atrás dos Estados Unidos e da Alemanha. Também inventaram o futebol, mas ganharam apenas uma Copa do Mundo.

Mas tem um ponto onde eles se destacam: dramaturgia. Nisso são mesmo campeões mundiais, seja pelo volume de boas produções, seja pelos talentos individuais, seja pela qualidade de seus escritores, diretores de arte, diretores e atores.


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