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“A Marcha” e “Orgulho e Esperança”: três décadas de luta por igualdade e justiça

Claudia Bozzo O poder das multidões jamais foi subestimado. Dois eventos que mobilizaram a França e o Reino Unido há pouco mais de trinta anos, estão nas telas. O francês […]

03/01/16

Claudia Bozzo
O poder das multidões jamais foi subestimado. Dois eventos que mobilizaram a França e o Reino Unido há pouco mais de trinta anos, estão nas telas. O francês “A Marcha”, entrou esta semana em circuito comercial e o britânico “Orgulho e Esperança”, está em exibição no Telecine Cult trazendo para hoje situações que influenciaram a opinião pública na década de 1980.

O primeiro, dirigido pelo belga de origem marroquina Nabil Ben Yadir, conta a história de um grupo de moradores de um conjunto habitacional de Lyon, chamado Les Minguettes, que decide realizar um protesto pacífico, atravessando a França a pé, de Marselha a Paris em 1983, para reivindicar igualdade entre franceses, imigrantes e franceses filhos de estrangeiros. Iniciada em 15 de outubro, com uns 15 participantes, a manifestação chega a Paris em 3 de dezembro, sendo acolhida por cem mil pessoas.

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O conjunto Les Minguettes, construído em 1965 tinha como meta acolher, entre outros grupos, parte dos franceses provenientes da Argélia, independente desde 1962. Formado por 58 torres verticais tornou-se símbolo da revolta social abrigando os motins urbanos em diferentes ocasiões, muitas delas recentes. Foi alvo de projetos de recomposição urbana e tem mais de 20 mil habitantes, na região metropolitana da cidade.

O presidente socialista François Mitterrand havia sido eleito em maio de 1981, marcando a volta da esquerda ao poder, depois de 23 anos, e o filme traz um retrato dessa época, incluindo uma trilha sonora muito competente. A produção franco-belga tem atores de primeira linha, como o belga Olivier Gourmet, um dos favoritos dos talentosos irmãos Dardenne, que já foi visto em “O Exercício do Poder” de 2011, ”Dois Dias, Uma Noite”(2014). Tem a também belga de origem árabe, Lubna Azabal, que brilhou em todos os filmes por onde passou – e passará -, como ”Paradise Now” (2005), “Incêndios” (2010).

É um filme que emociona, sem ser uma obra-prima. Competente, passa seu recado, no momento em que a França lida com problemas como imigrantes, atentados e ameaça de grupos islâmicos. E mostra como são pequenos tanto os passos possíveis, como os resultados concretos, na luta contra o preconceito, a desigualdade, a falta de respeito pelos direitos do imigrante e das minorias.

Outra obra digna de nota, também baseada em fatos reais é “Orgulho e Esperança” (Pride) de 2014, dirigido por Matthew Warchus, que apesar no nome meio “vitoriano” se passa em uma das muitas fases dramáticas do governo Margareth Thatcher, que foi a longa (um ano) greve dos mineiros de carvão. Em Londres, um grupo ativista gay decide dar seu apoio à greve, coletando dinheiro para levar alimento e roupas aos familiares e grevistas. Eles formam o grupo LGSM (Lesbians and Gays Support the Miners).

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O elenco é de dar inveja a qualquer diretor: Bill Nighy (“O Exótico Hotel Marigold”, “A Garota do Café”); Imelda Staunton (“Para o Resto de Nossas Vidas”, O Segredo de Vera Drake”, “Razão e Sensibilidade”); Dominic West (das séries “A Escuta”, “The Hour”); Paddy Considine, que está no elenco de “Macbeth – Ambição e Guerra”.

Os diálogos alternam humor e drama na dose correta com o costumeiro brilho dos britânicos em criar um roteiro, mirando nos olhos a questão do preconceito contra o grupo de gays e lésbicas, por parte da machista e conservadora sociedade do País de Gales em 1984. Sem contar com a trilha sonora, que como em “A Marcha” faz um passeio nos anos 1980.

É só prestar atenção na data de exibição: será reprisado pelo canal nos dias 15 e 18 de janeiro.


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